As baterias já pesam na matriz elétrica chilena. Entre janeiro e setembro de 2026, os sistemas de armazenamento injetaram 5,1% da energia do sistema elétrico, mais que as pequenas centrais hidrelétricas a fio d’água (2,9%), a biomassa (1,5%), o biogás (0,2%) e a geotermia (0,2%), segundo o boletim estatístico de setembro da Associação Chilena de Energias Renováveis e Armazenamento (ACERA), publicado nesta quinta-feira, 22 de outubro, pela REDIMIN.
Só em setembro, as baterias injetaram 584 GWh, 7,9% da energia registrada no mês. É uma alta de 216,3% frente a setembro de 2025, quando o armazenamento ainda era marginal, e de 3,9% frente a agosto.
As baterias frente às demais tecnologias
A tabela mostra a participação de cada tecnologia nas injeções de energia no sistema entre janeiro e setembro de 2026. O armazenamento já se aproxima das hidrelétricas a fio d’água convencionais, que somam 6,5%:
| Tecnologia | Participação na energia injetada (janeiro a setembro de 2026) |
|---|---|
| Solar fotovoltaica | 23,8% |
| Carvão | 14,9% |
| Gás natural | 14,5% |
| Eólica | 14,4% |
| Hidrelétrica com reservatório | 14,1% |
| Hidrelétrica a fio d’água | 6,5% |
| Baterias (armazenamento) | 5,1% |
| Pequenas hidrelétricas a fio d’água | 2,9% |
| Biomassa | 1,5% |
| Biogás | 0,2% |
| Geotermia | 0,2% |
Fonte: ACERA, boletim estatístico de setembro de 2026, divulgado pela REDIMIN. As renováveis (renováveis não convencionais mais hidrelétricas convencionais) somaram 63,5% e as térmicas, 31,4%. O armazenamento é contabilizado à parte.
Há uma ressalva importante: as baterias não geram energia, elas a armazenam. O que entregam à noite foi carregado antes, em geral com energia solar do meio-dia. Por isso sua porcentagem não pode ser somada à das renováveis como se fosse uma fonte nova, e a origem renovável da carga deve ser documentada para sustentar afirmações de descarbonização, adverte o relatório.

Quantas baterias há no Chile
Em setembro de 2026 havia 3.125 MW e 13.555 MWh de armazenamento em operação, segundo a ACERA. Outros 3.017 MW estavam em testes e 5.130 MW em construção. Para comparar, no fim de 2025 havia 1.575 MW em operação: a capacidade dobrou em nove meses.
| Situação | Potência | Energia | Comentário |
|---|---|---|---|
| Em operação | 3.125 MW | 13.555 MWh | Duração média de cerca de 4,3 horas |
| Em testes | 3.017 MW | 13.735 MWh | Ainda não operam comercialmente |
| Em construção | 5.130 MW | 22.123 MWh | 76% híbridos com usinas solares e 24% independentes |
| Total nas três etapas | 11.272 MW | 49.413 MWh | Nem tudo está disponível comercialmente |
Fonte: ACERA, setembro de 2026; o total e a duração média são cálculos da Energía Futura com esses números. O dado do fim de 2025 é do balanço anual da ACERA.
Um sistema de 100 MW e 400 MWh pode, em teoria, entregar sua potência nominal durante quatro horas, o padrão de boa parte dos projetos chilenos. Os mais novos apontam para mais horas: o BESS Lile, da Engie, em Mejillones, de 142 MW e 802 MWh, descarrega por cerca de cinco horas. O crescimento da capacidade e da carteira está detalhado na reportagem sobre os 3.000 MW de baterias.
Baterias e curtailment: o que os dados mostram
O curtailment de energia eólica e solar, a energia que se perde porque a rede não consegue absorvê-la, somou 3.546 GWh entre janeiro e setembro de 2026, 4,6% a menos que no mesmo período de 2025, segundo a ACERA. As baterias podem ajudar a reduzi-lo, porque carregam justamente nas horas de sobreoferta solar.
Mas o relatório é prudente: os dados não permitem atribuir a queda só ao armazenamento, porque também influem a demanda, a transmissão e a operação do sistema. A transmissão é o outro gargalo, como explicamos na reportagem sobre o relatório da Deloitte.

O que a ACERA propõe para o armazenamento
A entidade propõe melhorar a programação do despacho do armazenamento, representar melhor os custos de oportunidade da energia armazenada e fortalecer os mecanismos de coordenação para decidir quando carregar e quando descarregar. Hoje o Coordenador Elétrico decide a operação das baterias dentro do despacho econômico do sistema.
Para a mineração, o tema é central: as operações funcionam 24 horas e muitas assinaram contratos de energia renovável que precisam ser cumpridos também à noite. As baterias permitem entregar energia solar fora das horas de sol, embora sua autonomia seja limitada e elas não garantam sozinhas um fornecimento contínuo. A tendência, de todo modo, é clara: com 5.130 MW em construção, o armazenamento pode superar a hidrelétrica a fio d’água nos próximos meses.
O Chile já figura entre os mercados de armazenamento mais ativos do mundo. Em setembro de 2026, as baterias injetaram 7,9% da energia, um número que poucos países alcançam. Os maiores projetos do planeta, incluindo o da Grenergy no Atacama, estão no ranking das maiores baterias do mundo.
Como a matriz se dividiu em setembro
Em setembro de 2026 a matriz se dividiu assim, segundo a ACERA: as energias renováveis não convencionais (solar, eólica, pequenas hidrelétricas, biomassa e geotermia) contribuíram com 46,2%, as hidrelétricas convencionais com 32,2% e as usinas térmicas com apenas 13,8%. As baterias, contabilizadas à parte, injetaram 7,9%.
A variação mensal depende da hidrologia, da radiação solar, do vento, da demanda e da programação das unidades. Setembro combina mais sol e degelo com uma demanda menor que a do inverno, por isso as térmicas operam menos. O desafio será manter esse padrão nos meses secos e nos anos com pouca chuva, quando as baterias terão de substituir parte da geração hidrelétrica noturna.
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Ver formatos publicitáriosPerguntas frequentes
Quanta energia as baterias fornecem no Chile?
5,1% da energia injetada entre janeiro e setembro de 2026, e 7,9% em setembro, segundo a ACERA.
Quantos MW de baterias há no Chile?
3.125 MW em operação em setembro de 2026, mais 3.017 MW em testes e 5.130 MW em construção.
Baterias são energia renovável?
Elas não geram energia: armazenam a que foi produzida antes. São renováveis apenas se carregadas com energia renovável, algo que deve ser documentado.
As baterias reduzem o curtailment?
Podem ajudar, porque carregam nas horas de sobreoferta solar. O curtailment caiu 4,6% em 2026, mas também influem a transmissão e a demanda.



