O sistema elétrico chileno tem 320 projetos em processo de conexão que somam mais de 12.188 MW líquidos, e as baterias BESS são a maior parte: 7.561 MW, ou 62% do total. É o que mostra o relatório de gestão de conexões do Coordenador Elétrico Nacional (CEN), o operador do sistema, com dados até 15 de outubro de 2026, enviado à Comissão Nacional de Energia (CNE) e à Superintendência de Eletricidade e Combustíveis (SEC), segundo a Electrominería.
São projetos declarados em construção, que precisam cumprir testes e autorizações antes de entrar em operação.
Projetos aguardando conexão: números por tipo
| Segmento | Projetos | Capacidade (MW) | Participação em MW |
|---|---|---|---|
| Sistemas de baterias (BESS) | 52 | 7.560,85 | 62% |
| Geração | 49 | 4.283,86 | 35% |
| PMGD (geração distribuída) | 56 | 343,73 | 3% |
| Transmissão | 163 | — | — |
| Total | 320 | 12.188,44 | 100% |
A transmissão não é medida em megawatts de geração, mas é o segmento com mais iniciativas: 163 obras. O CEN informou que aplicou medidas às obras atrasadas, sem trazer números de avanço no relatório.

Onde estão as baterias BESS aguardando conexão
As baterias se concentram no norte, onde está a maior parte da geração solar. Armazenar a energia do meio-dia para entregá-la à noite é a forma de reduzir o corte de energia renovável e cobrir a demanda noturna sem usinas térmicas.
| Região | Baterias BESS em processo de conexão (MW) | Participação |
|---|---|---|
| Antofagasta | 3.502,40 | 46% |
| Atacama | 1.561,75 | 21% |
| Tarapacá | 1.276,00 | 17% |
| Outras regiões | 1.220,70 | 16% |
Com esses projetos, o Chile seguiria ampliando um parque de armazenamento que já superou 3.000 MW em operação. Um dos casos recentes é o da Grenergy, que fechou o financiamento de seus projetos Algarrobal e Palmas, com 1,8 GWh de baterias.
A geração na fila: solar, híbrida e eólica
Na geração, a energia solar segue na liderança, sozinha ou combinada com baterias. A eólica aparece em terceiro lugar.
| Tecnologia de geração | Capacidade em processo de conexão (MW) |
|---|---|
| Solar fotovoltaica | 1.595,70 |
| Solar com baterias (híbrida) | 1.517,90 |
| Eólica | 650,30 |
| Outras tecnologias | 519,96 |
| Total geração | 4.283,86 |
Os projetos híbridos, que compartilham o ponto de conexão entre painéis e baterias, já somam quase o mesmo que os solares puros.

O gargalo: a transmissão
O volume de baterias e de projetos solares na fila esbarra na capacidade das redes. Por isso a CNE incluiu baterias entre as obras urgentes de transmissão, como o sistema de armazenamento de Tineo, e o CEN revisa como melhorar a concorrência nas licitações de obras de ampliação. No mesmo dia do relatório, a Electrominería informou que o CEN identificou 41 obras de expansão em construção com atrasos reportados pela distribuidora CGE; o detalhe dessas obras não foi publicado.
- Baterias: 52 projetos e 7.561 MW, quase metade em Antofagasta.
- Solar e solar híbrida: 3.114 MW somadas.
- Eólica: 650 MW.
- PMGD: 56 pequenos meios de geração distribuída, com 344 MW.
- Transmissão: 163 iniciativas em processo de conexão.
Por que há tantas baterias BESS na fila
O boom tem uma explicação econômica e uma legal. A econômica: no norte, a energia solar sobra ao meio-dia e falta à noite, e uma bateria compra barato e vende caro em poucas horas. A legal: a Lei 21.505, de 2022, promoveu o armazenamento de energia e permitiu que os sistemas de baterias participem do mercado elétrico sozinhos, sem estar associados a uma usina.
Com os números do relatório, cada projeto de baterias tem em média cerca de 145 MW, contra 87 MW dos projetos de geração e 6 MW dos PMGD (cálculo próprio).
As baterias BESS que entraram em operação em 2026
Os projetos na fila se somam a uma onda que já está operando. Alguns exemplos deste ano:
| Projeto | Empresa | Capacidade | Marco em 2026 |
|---|---|---|---|
| Andes Solar III (solar + baterias) | AES Andes | 171 MW / 513 MWh de baterias | Início de operação em abril |
| Punta de Talca BESS | EDP | 60 MW / 240 MWh | Início de operação em junho, junto ao parque eólico de 83 MW |
| Bolero BESS | AES Andes | 146 MW / 438 MWh | Operação comercial em agosto |
| BESS Lile e outros quatro sistemas | Engie | 803 MW de baterias operacionais no Chile | Comissionamento informado em outubro |
Os números vêm da pv magazine Latinoamérica, da Electrominería e da Energy Storage. Como regra geral, os sistemas construídos hoje no Chile armazenam de três a quatro horas de sua potência, o suficiente para levar a energia do meio-dia para a noite.
O que acontece depois do processo de conexão
Estar em processo de conexão não significa que o projeto vá operar amanhã. Primeiro ele precisa terminar a construção, fazer os testes exigidos pela norma técnica e obter a autorização do CEN para injetar energia. Só então entra em operação comercial. Por isso parte desses 12.188 MW será somada ao sistema ao longo de 2026 e 2027.
A chegada de tantas baterias também ajudaria a aproveitar melhor a energia solar. Hoje, quando a rede não consegue transportar toda a geração renovável, o CEN ordena cortes, fenômeno conhecido como curtailment. Com mais armazenamento, essa energia pode ser guardada para a noite.
- Construção: o projeto é declarado em construção perante a CNE.
- Processo de conexão: cumpre com o CEN as etapas para se conectar.
- Testes: verifica que cumpre a norma técnica.
- Operação comercial: começa a vender energia ou serviços à rede.
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Quantos MW de baterias BESS aguardam conexão no Chile?
7.560,85 MW em 52 projetos, segundo o relatório do Coordenador Elétrico Nacional com dados até 15 de outubro de 2026.
O que significa um projeto estar em processo de conexão?
Que foi declarado em construção e está cumprindo com o operador as etapas para se conectar e operar no Sistema Elétrico Nacional.
Qual região concentra mais baterias?
Antofagasta, com 3.502 MW, seguida de Atacama (1.562 MW) e Tarapacá (1.276 MW).



