O governo do Chile está selecionando 20 projetos energéticos estratégicos para acompanhá-los de perto e encurtar suas licenças. A carteira se concentra em linhas de transmissão, sistemas de armazenamento e outras obras que habilitam a transição energética, e sua lista completa ainda não foi divulgada, informou a REDIMIN em 4 de novembro de 2026, com base no roteiro do Ministério de Energia.
A meta está escrita na Rota Energética 2026-2030 do Ministério: até 2030, "reduzir os prazos de tramitação de projetos energéticos estratégicos, com foco em uma carteira priorizada de 20 projetos". O diagnóstico do mesmo documento explica a urgência: no fim de 2025 havia US$ 47.650 milhões em projetos energéticos em avaliação ambiental, e os aprovados naquele ano levaram mais de 450 dias em média.
Ver os dados em uma tabela
| Em avaliação ambiental no fim de 2025 | US$47.650 M |
| Aprovados ambientalmente em 2025 | US$19.700 M |
| Dias médios de tramitação | +450 |
| Projetos estratégicos | 20 |
Como serão escolhidos os 20 projetos energéticos estratégicos
Segundo o que foi informado, a seleção dos projetos energéticos estratégicos considera três critérios centrais: a maturidade do projeto; se seus atrasos se devem, ao menos em parte, a trâmites do Estado; e se esses atrasos afetam outros agentes do sistema elétrico ou travam infraestrutura necessária. A Rota acrescenta a contribuição ao sistema elétrico, a capacidade de mobilizar investimento e a geração de empregos de qualidade. A prioridade não depende só do valor comprometido por cada empresa.
| Critério | O que mede | Fonte |
|---|---|---|
| Maturidade | Se o projeto está avançado e pode ser construído | Ministério de Energia, via REDIMIN |
| Atraso atribuível ao Estado | Demoras causadas, ao menos em parte, por procedimentos administrativos | Ministério de Energia, via REDIMIN |
| Efeito em terceiros | Se o atraso afeta outros agentes ou trava infraestrutura necessária | Ministério de Energia, via REDIMIN |
| Contribuição ao sistema elétrico | Benefício para a rede e a segurança de suprimento | Rota Energética 2026-2030 |
| Investimento e emprego | Capacidade de mobilizar investimento e criar empregos de qualidade | Rota Energética 2026-2030 |
O Ministério esclarece que entrar na carteira não significa aprovação ambiental automática, nem a obtenção de todas as licenças, nem o início das obras. O que oferece é um acompanhamento estratégico: coordenar os órgãos públicos que precisam se pronunciar para que os prazos sejam cumpridos. Também não foi publicado um cronograma por projeto.
As ferramentas: uma mesa interministerial e um plano de licenças
A carteira de 20 projetos faz parte da Ação 18 da Rota Energética, "Agilização de projetos e modernização de licenças". Seus produtos incluem uma mesa interministerial de investimento energético estratégico, com prazo 2026-2030, para coordenar de forma permanente os projetos priorizados, e um plano de modernização dos procedimentos administrativos, com prazo 2026-2028, que deve identificar gargalos, etapas críticas, prazos efetivos e órgãos envolvidos.
A mesma ação prevê um guia de inserção socioterritorial para projetos de transmissão, com plano piloto em 2027, e planos de ação para 3 zonas-chave de geração e transmissão entre 2026 e 2030. A Rota foi apresentada em 28 de maio de 2026 e aprovada pela Resolução Isenta nº 45, publicada no Diário Oficial no começo de julho, segundo um alerta jurídico do escritório Cariola.
- 28 de maio de 2026Apresentada a Rota Energética 2026-2030
- Julho de 2026Diário Oficial publica a Resolução Isenta nº 45
- 3 de novembro de 2026Comitê de Ministros: 28 projetos decididos, US$ 21.996 M
- 4 de novembro de 2026Informada a seleção de 20 projetos estratégicos
- 2027Piloto do guia socioterritorial para transmissão
- 2028Prazo do plano de modernização de procedimentos
- 2030Meta: menos tempo de tramitação para a carteira de 20

Quanto investimento espera licenças no Chile
O diagnóstico do eixo de investimento da Rota traz quatro números. Em 2025 foi aprovado ambientalmente investimento energético de US$ 19.700 milhões, com prazos médios de tramitação acima de 450 dias. No fim daquele ano havia US$ 47.650 milhões em projetos energéticos em avaliação, incluindo hidrogênio verde. E o setor precisará de 12.000 a 27.000 trabalhadores na próxima década, com 40% dos atuais sem formação técnica ou profissional formal.
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Investimento energético aprovado ambientalmente em 2025 | US$ 19.700 M | Rota Energética 2026-2030 |
| Prazo médio de tramitação dos aprovados em 2025 | Mais de 450 dias | Rota Energética 2026-2030 |
| Projetos energéticos em avaliação no fim de 2025 | US$ 47.650 M | Rota Energética 2026-2030 |
| Trabalhadores que o setor exigirá na próxima década | 12.000 a 27.000 | Rota Energética 2026-2030 |
| Trabalhadores sem formação técnica ou profissional formal | 40% | Rota Energética 2026-2030 |
| Projetos decididos pelo Comitê de Ministros neste governo | 28 (US$ 21.996 M) | Revista Electricidad, 3-nov-2026 |
O ritmo das avaliações já era um tema: o Serviço de Avaliação Ambiental aprovou 90 projetos de energia por US$ 11.855 milhões em um período recente, enquanto as novas entradas caíam, como contamos na reportagem sobre o investimento em energia aprovado pelo SEA.
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Ver formatos publicitáriosO Comitê de Ministros também acelera
O anúncio chega junto com outro sinal. Em 3 de novembro, em sua 12ª sessão neste governo, o Comitê de Ministros confirmou as licenças ambientais favoráveis do Porto Exterior de San Antonio (US$ 4 bilhões) e do parque eólico Los Portones (US$ 250 milhões, 24 aerogeradores em Calbuco e Maullín, com linha de 220 kV de 23 km e baterias). Segundo a Revista Electricidad, o Comitê resolveu recursos de 28 projetos por US$ 21.996 milhões em menos de oito meses.
As regiões do norte concentram boa parte da carteira em avaliação. Só em Atacama havia 26 projetos por US$ 7.325 milhões no fim de outubro, com a energia à frente, como detalhamos na carteira ambiental de Atacama.
Por que a transmissão domina os projetos energéticos estratégicos
Não é por acaso que a carteira mira transmissão e armazenamento. O Chile tem mais geração renovável do que suas redes conseguem transportar nas horas de sol, o que obriga a desperdiçar energia. As linhas novas levam anos e somam centenas de licenças setoriais. Nesta mesma semana, o Coordenador Elétrico adjudicou 17 obras novas de transmissão por US$ 475 milhões, que devem entrar em operação por volta de 2031, como contamos na reportagem sobre a licitação de transmissão.
A Rota inclui outras metas para 2030 que dependem dos mesmos órgãos: 65.000 novos sistemas solares para autoconsumo, ao menos 1 GW de geração distribuída e um tratado internacional para o intercâmbio elétrico com os países vizinhos, que abriria projetos como as interconexões com Peru, Argentina e Bolívia. Quando o Ministério publicar a lista dos 20 projetos, atualizaremos esta reportagem.

Perguntas frequentes
Quais são os 20 projetos energéticos estratégicos?
A lista ainda não é pública. Sabe-se que mira linhas de transmissão, armazenamento e infraestrutura habilitante.
Estar na lista garante a aprovação?
Não. O Ministério esclarece que não implica aprovação ambiental, licenças nem início de obras: é um acompanhamento para coordenar os órgãos públicos.
Quanto tempo levam hoje as licenças?
Os projetos energéticos aprovados em 2025 levaram mais de 450 dias em média na avaliação ambiental, segundo a Rota Energética.
Quanto investimento está em avaliação?
US$ 47.650 milhões em projetos energéticos no fim de 2025, incluindo hidrogênio verde.
Até quando vale a meta?
Até 2030. A mesa interministerial funciona entre 2026 e 2030, e o plano de modernização de procedimentos, entre 2026 e 2028.



