O investimento em energia que obteve licença ambiental no Chile segue alto, mas o que entra em avaliação despenca. Entre janeiro e setembro de 2026, o Serviço de Avaliação Ambiental (SEA) aprovou 90 projetos de energia por US$ 11.854,8 milhões, 4,2% a menos que os US$ 12.371,8 milhões do mesmo período de 2025, segundo o último relatório do SEA divulgado nesta quinta-feira, 22 de outubro, pela REDIMIN.
O dado que preocupa está na entrada do funil: nesses nove meses, apenas 46 projetos de energia entraram no Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental (SEIA), contra 132 um ano antes, uma queda de 65,2%. O investimento declarado desses projetos novos caiu 27,7%, de US$ 20.032 milhões para US$ 14.485 milhões.
O investimento em energia aprovado e o que entra, em números
As aprovações de 2026 correspondem em boa parte a projetos que entraram no SEIA em anos anteriores, porque uma avaliação ambiental costuma levar meses ou anos. Por isso o número de aprovados se mantém, enquanto o de pedidos reflete as decisões de investimento mais recentes:
| Indicador (janeiro a setembro) | 2025 | 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Projetos de energia aprovados | 89 | 90 | +1 |
| Investimento aprovado | US$ 12.371,8 milhões | US$ 11.854,8 milhões | -4,2% |
| Projetos de energia que entraram no SEIA | 132 | 46 | -65,2% |
| Investimento que entrou em avaliação | US$ 20.032,2 milhões | US$ 14.485,5 milhões | -27,7% |
Fonte: relatório do Serviço de Avaliação Ambiental com dados do SEIA, publicado pela REDIMIN em 22 de outubro de 2026. Os valores são investimentos declarados pelos titulares, não recursos já gastos.
A diferença entre a queda em número (-65%) e em valor (-28%) indica que os projetos que continuam entrando são menos, porém maiores. Com 46 projetos e US$ 14.485 milhões, a média por iniciativa foi de cerca de US$ 315 milhões, contra cerca de US$ 152 milhões em 2025.
Setembro, o mês mais fraco
Em setembro de 2026 entraram apenas 4 projetos de energia por US$ 908 milhões, frente a 20 projetos e US$ 2.395,9 milhões em setembro de 2025: uma queda de 80% em número e de 62,1% em investimento. Um dos pedidos do mês foi em Antofagasta, por US$ 593 milhões, e os outros três na Região Metropolitana, por US$ 315 milhões no total.
Nas aprovações, por outro lado, setembro foi um bom mês: 13 projetos por US$ 3.276 milhões. Atacama concentrou US$ 1.056,7 milhões; Valparaíso, US$ 555 milhões; Antofagasta, US$ 500 milhões, e a Região Metropolitana, US$ 455 milhões.

Onde está o investimento em energia que aguarda aprovação
No fim de setembro havia 93 projetos de energia em avaliação por US$ 21.060,5 milhões. É uma carteira grande, que no papel equivale a quase dois anos de aprovações no ritmo atual. Antofagasta lidera com folga:
| Região | Investimento em energia em avaliação (setembro de 2026) |
|---|---|
| Antofagasta | US$ 6.575 milhões |
| Atacama | US$ 3.578 milhões |
| Projetos inter-regionais | US$ 2.675 milhões |
| Los Lagos | US$ 2.591,4 milhões |
| Total do país (93 projetos) | US$ 21.060,5 milhões |
Fonte: SEA, via REDIMIN. Os projetos inter-regionais são, em sua maioria, linhas de transmissão que cruzam mais de uma região.
Antofagasta combina o melhor recurso solar do mundo com a maior demanda de mineração do país, e é onde se concentram os grandes sistemas de armazenamento com baterias. O Coordenador Elétrico informou neste mês que há mais de 12.188 MW em projetos aguardando conexão à rede, boa parte nessa região, como detalhamos na reportagem sobre os projetos na fila de conexão.
Por que cai o investimento em energia que entra em avaliação
O relatório do SEA não explica as causas, mas o setor tem apontado várias nos últimos meses. A principal é o curtailment (corte de geração): nas horas de sol, o norte gera mais energia solar do que as linhas conseguem levar ao centro do país, e essa energia se perde ou é vendida a preço zero. Um relatório da Deloitte calculou o curtailment de 2025 em 6.205 GWh, como contamos na reportagem sobre a transmissão que não dá conta.
Com preços de energia muito baixos ao meio-dia, um parque solar novo sem baterias é cada vez mais difícil de financiar. Por isso a maioria dos projetos que seguem avançando são híbridos com armazenamento ou baterias independentes, que compram energia barata de dia e a vendem à noite. Outro fator é o ciclo do investimento: em 2024 e 2025 entrou em avaliação uma onda de projetos que hoje já está no SEIA ou aprovada, e a carteira nova ainda não foi reposta.
Some-se a isso a incerteza regulatória. O Ministério de Energia prepara uma reforma da distribuição elétrica, a Comissão Nacional de Energia (CNE) revisa as regras de conexão às redes e o projeto de orçamento de 2027 reduz o gasto do ministério. Esses processos não freiam os investimentos por si só, mas os desenvolvedores costumam esperar regras claras antes de apresentar novos projetos.

O que a queda significa para os próximos anos
Um projeto que hoje não entra no SEIA dificilmente estará gerando antes de 2029 ou 2030, porque à avaliação ambiental se somam o financiamento, a construção e a conexão. Se a queda dos pedidos continuar, o efeito será sentido na segunda metade da década, justamente quando o sistema precisa substituir as usinas a carvão que se aposentam e abastecer uma demanda que cresce com a mineração, a eletromobilidade e os data centers.
No curto prazo, a carteira aprovada dá margem. Só em Ñuble, por exemplo, foram aprovados cerca de 1.000 MW renováveis e mais de US$ 1.600 milhões entre março e outubro, como detalhamos na reportagem sobre os investimentos em Ñuble. E no Atacama, o parque solar Ceibo, de 250 MW, obteve sua licença neste mês.
A pergunta é quantos desses projetos aprovados serão construídos. Uma resolução de qualificação ambiental favorável é apenas uma licença: as empresas decidem depois se constroem, conforme os preços, os contratos de venda de energia e as condições de conexão. Por isso o SEA adverte que seus números são investimentos declarados, e não gasto efetivo.
- 90 projetos de energia aprovados entre janeiro e setembro de 2026, um a mais que em 2025.
- US$ 11.854,8 milhões em investimento aprovado, 4,2% a menos que um ano antes.
- Apenas 46 projetos novos entraram em avaliação, contra 132 em 2025 (-65,2%).
- O investimento que entrou em avaliação caiu 27,7%, para US$ 14.485,5 milhões.
- 93 projetos por US$ 21.060,5 milhões seguiam em avaliação no fim de setembro.
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Quanto investimento em energia foi aprovado no Chile em 2026?
Entre janeiro e setembro, o SEA aprovou 90 projetos de energia por US$ 11.854,8 milhões, segundo seu último relatório.
Por que caem os projetos de energia que entram no SEIA?
O SEA não explica. O setor aponta o curtailment de energia solar por falta de transmissão, os preços baixos ao meio-dia e a incerteza por mudanças regulatórias em curso.
Qual região tem mais investimento em energia em avaliação?
Antofagasta, com US$ 6.575 milhões em projetos de energia em avaliação no fim de setembro de 2026.
Um projeto aprovado é sempre construído?
Não. A aprovação ambiental é uma licença; a empresa decide depois se constrói, conforme o financiamento, os contratos e a conexão à rede.



