A ministra de Energia do Chile, Ximena Rincón, anunciou que em 9 de novembro começará uma mesa com geradoras de eletricidade para identificar suas principais dificuldades e definir medidas, e que em 11 de novembro viajará à Bolívia com representantes da indústria e dos serviços públicos para avançar na integração energética entre os dois países.
Ela fez o anúncio na sessão do Conselho de Políticas de Infraestrutura (CPI), presidido pelo ex-presidente Eduardo Frei, na sede do Inacap em Vitacura, segundo informaram em 29 de outubro a Revista Electricidad e a BNamericas. Na mesma fala, fixou uma meta de qualidade do serviço: reduzir as interrupções de fornecimento de cerca de 15,2 horas por ano para 4 horas em 2035.
O que é a mesa com geradoras e quando começa
A mesa com geradoras começará em 9 de novembro e seguirá uma metodologia participativa parecida com a que o ministério usa para a reforma das redes de transmissão e distribuição, com apoio do CPI. “Devemos ter um diagnóstico comum, tal como existe em matéria de redes”, disse Rincón, segundo a Revista Electricidad.
A ministra destacou dois pontos. Primeiro: a geração é o componente mais importante da conta de luz, acima da transmissão e da distribuição. Segundo: esta mesa é diferente da renegociação dos contratos de fornecimento incluída na legislação aprovada em julho. Ainda não foram informados os participantes, o número de sessões nem o prazo para entregar conclusões.
| Data | Marco | O que se sabe |
|---|---|---|
| 9 de novembro de 2026 | Começa a mesa com geradoras | Diagnóstico comum e medidas; metodologia participativa com apoio do CPI |
| 11 de novembro de 2026 | Viagem da ministra à Bolívia | Com representantes da indústria e de serviços públicos; dá sequência à declaração presidencial de outubro |
| Dezembro de 2026 | Fim da conversa sobre redes | Proposta conceitual do ministério para transmissão e distribuição |
| Março de 2027 | Projeto de lei de redes | Prazo proposto pelo diretor-executivo do CPI, Carlos Cruz |
Fonte: Revista Electricidad e BNamericas, 29 de outubro de 2026.
O Conselho de Políticas de Infraestrutura é uma corporação que reúne empresas, associações setoriais e especialistas para propor políticas públicas de longo prazo em infraestrutura. No setor elétrico, apoiou o processo participativo da reforma de redes liderado pela ministra e pelo subsecretário Hugo Briones, que conta ainda com assistência técnica do Banco Mundial. Por isso, a escolha desse fórum para anunciar a nova mesa não é casual: o modelo a ser usado com as geradoras é o mesmo aplicado com as distribuidoras e transmissoras.
A mesa se soma ao processo da reforma das redes elétricas, cuja proposta conceitual será apresentada em dezembro. Na sessão do CPI, seu diretor-executivo, Carlos Cruz, disse que essas conversas deveriam terminar em dezembro para haver um projeto de lei em março.
A viagem à Bolívia e a interconexão elétrica
Rincón lembrou que a interconexão elétrica foi o único acordo alcançado com a Bolívia durante a recente visita presidencial. Em 16 de outubro, em La Paz, os presidentes José Antonio Kast e Rodrigo Paz assinaram uma declaração de integração energética que cria um comitê técnico e abre a avaliação de uma interconexão. A viagem de 11 de novembro busca dar continuidade a esse consenso.

A ministra acrescentou que o Chile trabalha também com o Peru e a Argentina, e propôs tomar como referência o tratado de integração mineira vigente com a Argentina para desenhar acordos energéticos de longo prazo. Por enquanto, a declaração com a Bolívia não fixa capacidades, valores nem prazos: esses detalhes ficarão a cargo do comitê técnico binacional.
A meta de interrupções: de 15,2 para 4 horas por ano
Em qualidade do serviço, Rincón propôs reduzir as interrupções de fornecimento de cerca de 15,2 horas por ano por cliente para 4 horas em 2035, uma queda de 74% em nove anos. A meta chega depois de um inverno com temporais e cortes em massa no centro-sul do Chile.
| Indicador | Número | Contexto |
|---|---|---|
| Interrupções atuais | 15,2 horas por ano | Média por cliente citada pela ministra |
| Meta de interrupções | 4 horas por ano em 2035 | Queda de 74% (cálculo da Energía Futura) |
| Compras de combustíveis fósseis | US$ 12,5 bilhões em 2025 | Petróleo, gás e carvão importados |
| Peso da eletricidade na matriz | 23% | Dado citado por Carlos Cruz (CPI) |
Fonte: Revista Electricidad, 29 de outubro de 2026.

Para a transmissão, a ministra propôs uma lógica parecida com a das concessões de obras públicas, com um Estado mais ativo na preparação dos projetos. Hoje, explicou, as empresas que vencem uma licitação precisam gerir terrenos, servidões e avaliações ambientais antes de construir, o que alonga os prazos. Como exemplo, citou a ponte de Chacao, que não previu conexões elétricas nem digitais para Chiloé e exigirá uma obra adicional.
Rincón também alertou que as limitações de transmissão pesam nas tarifas: segundo ela, as contas de luz em Los Ríos e Los Lagos não cairiam a partir de janeiro de 2027.
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Ver formatos publicitáriosCombustíveis importados, data centers e a mesa com geradoras
A ministra lembrou que em 2025 o Chile gastou US$ 12,5 bilhões importando petróleo, gás e carvão, e apresentou a eletrificação como forma de reduzir essa dependência. Carlos Cruz, do CPI, acrescentou que a eletricidade representa só 23% da matriz energética e que o gás natural, incluindo o argentino, e o hidrogênio verde vão complementar a eletrificação. Cruz também apontou um paradoxo tarifário: os clientes livres pagam menos pela energia que os clientes regulados.
Do lado da demanda, Rincón citou os data centers como uma oportunidade e anunciou que será acelerada a mesa de trabalho com os ministérios da Ciência e de Bens Nacionais. O Coordenador Elétrico Nacional projeta que a demanda elétrica do Chile poderia quase dobrar até 2046, com a mineração, o hidrogênio verde e os data centers entre os motores.
A mesa com geradoras será, portanto, mais uma peça de um calendário cheio: a proposta de redes em dezembro, o projeto de lei em 2027 e a relação com Bolívia, Peru e Argentina em paralelo. A Energía Futura informará os participantes e os primeiros acordos quando o ministério os publicar.
Perguntas frequentes
Quando começa a mesa com geradoras?
Em 9 de novembro de 2026, segundo anunciou a ministra de Energia, Ximena Rincón, no Conselho de Políticas de Infraestrutura.
É o mesmo que renegociar os contratos de eletricidade?
Não. A ministra esclareceu que a mesa é diferente da renegociação de contratos incluída na legislação aprovada em julho. Seu objetivo é um diagnóstico comum dos problemas da geração.
Por que a ministra vai à Bolívia?
Para avançar na integração energética e na possível interconexão elétrica acordada na declaração assinada pelos presidentes do Chile e da Bolívia em 16 de outubro. A viagem é em 11 de novembro.
Quantas horas sem luz um cliente tem por ano no Chile?
Cerca de 15,2 horas por ano em média, segundo a ministra. A meta do governo é chegar a 4 horas em 2035.



