O preço do lítio dobrou em um ano, e isso já aparece nas contas das empresas e do Estado chileno. A Albemarle, uma das duas companhias que extraem lítio no Salar de Atacama, informou em 4 de novembro de 2026 que seu ebitda ajustado do terceiro trimestre chegou a US$ 645,5 milhões, alta de 186,1% frente aos US$ 225,6 milhões do mesmo trimestre de 2025, segundo seu comunicado de resultados enviado à SEC dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, os pagamentos do lítio à Corfo, a agência estatal dona das concessões do Salar de Atacama, superaram US$ 1,1 bilhão entre janeiro e setembro de 2026, segundo números publicados pela REDIMIN em 4 de novembro. É mais do que o triplo do que a Corfo recebeu em todo 2025 (US$ 339 milhões).
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| Ebitda ajustado | US$645,5 M |
| Preço realizado do lítio | US$20,02/kg |
| Vendas | US$1.553,1 M |
| Pagamentos do lítio à Corfo, jan-set 2026 | +US$1.100 M |
Os resultados da Albemarle no terceiro trimestre
A Albemarle vendeu US$ 1.553,1 milhões entre julho e setembro, 18,8% a mais do que um ano antes. O lucro atribuível aos acionistas foi de US$ 296,8 milhões (US$ 2,15 por ação), frente a um prejuízo de US$ 160,7 milhões no terceiro trimestre de 2025. O presidente-executivo, Kent Masters, disse que a companhia teve "outro trimestre sólido" graças a uma execução disciplinada.
O motor foi o segmento Energy Storage, que vende lítio para baterias. Suas vendas subiram 57,9%, para US$ 1.118,8 milhões, e seu ebitda ajustado passou de US$ 124,1 milhões para US$ 559,8 milhões, alta de 351%. A razão é o preço: a Albemarle obteve em média US$ 20,02 por quilo de carbonato de lítio equivalente (LCE), 94,7% a mais que os US$ 10,28 do terceiro trimestre de 2025.
| Indicador (terceiro trimestre) | 2025 | 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Vendas totais | US$ 1.307 M | US$ 1.553,1 M | +18,8% |
| Ebitda ajustado | US$ 225,6 M | US$ 645,5 M | +186,1% |
| Resultado atribuível | −US$ 160,7 M | US$ 296,8 M | — |
| Vendas de Energy Storage | US$ 708 M | US$ 1.118,8 M | +57,9% |
| Ebitda de Energy Storage | US$ 124,1 M | US$ 559,8 M | +351% |
| Volume vendido (kt LCE) | 69 | 56 | −18,8% |
| Preço realizado (US$/kg LCE) | 10,28 | 20,02 | +94,7% |
Fonte: Albemarle, resultados do terceiro trimestre de 2026 (4 de novembro). As vendas de 2025 do total e de Energy Storage foram calculadas a partir das variações informadas pela empresa. O volume vendido caiu 18,8%, para 56.000 toneladas, o que a companhia atribui a eventos pontuais do ano anterior. Ou seja, todo o salto do resultado veio do preço.
O comunicado menciona o Chile em um ponto: o aumento das comissões chilenas, como a Albemarle chama os pagamentos à Corfo, compensou em parte a melhora do ebitda. É o outro lado da mesma moeda: quando o lítio sobe, o contrato com a Corfo cobra uma parte maior de cada tonelada, porque as porcentagens aumentam por faixas de preço.
Os pagamentos do lítio à Corfo, trimestre a trimestre
Os pagamentos do lítio à Corfo aceleraram a cada trimestre. No primeiro trimestre de 2026 chegaram a US$ 343 milhões, com US$ 290 milhões da Novandino Litio e US$ 53 milhões da Albemarle: em três meses já superavam tudo o que foi arrecadado em 2025, segundo informou a Corfo e noticiou a REDIMIN. No primeiro semestre somaram US$ 791 milhões, cinco vezes os US$ 150 milhões do primeiro semestre de 2025, segundo o La Tercera.
Com mais de US$ 1,1 bilhão até setembro, o terceiro trimestre teria contribuído com mais de US$ 309 milhões. A projeção orçamentária para o ano, citada pela REDIMIN, é de US$ 1.231 milhões: até setembro já teria sido arrecadado cerca de 89%. A Direção de Orçamento havia antecipado em agosto que o pagamento total do ano superaria US$ 1,2 bilhão.
| Período | Pagamentos à Corfo | Comentário |
|---|---|---|
| Ano 2024 | US$ 472 M | — |
| Ano 2025 | US$ 339 M | Queda por preços baixos |
| Primeiro semestre 2025 | US$ 150 M | — |
| Primeiro trimestre 2026 | US$ 343 M | Já supera todo 2025 |
| Primeiro semestre 2026 | US$ 791 M | 5,3 vezes o de 2025 |
| Janeiro-setembro 2026 | Mais de US$ 1.100 M | Cerca de 89% do orçado |
Fontes: Corfo via REDIMIN e La Tercera. O ano de 2025 foi ruim para o Tesouro: a Lei de Orçamento esperava uma transferência de US$ 737 milhões da Corfo, mas a queda do lítio deixou a arrecadação em cerca de US$ 349 milhões, 47% do estimado, segundo informou o Diario Financiero em fevereiro. Os números de 2025 variam levemente segundo a fonte.

A Novandino responde por 85% dos pagamentos do lítio à Corfo
A maior parte do dinheiro vem da Novandino Litio, a sociedade entre Codelco e SQM que opera desde 2026 no Salar de Atacama. No primeiro semestre pagou US$ 670 milhões à Corfo, contra US$ 93 milhões da SQM no mesmo período de 2025, e vendeu 152.000 toneladas de LCE, 37% a mais que as 111.000 do ano anterior, segundo a REDIMIN. A Albemarle pagou US$ 121 milhões (US$ 56 milhões em 2025) com cerca de 28.000 toneladas, volume similar ao de 2025.
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| Novandino (SQM em 2025) | Albemarle | |
|---|---|---|
| 1º semestre 2025 | US$93 M | US$56 M |
| 1º semestre 2026 | US$670 M | US$121 M |
A diferença entre as duas empresas mostra os dois motores da alta: na Novandino sobem o volume e o preço; na Albemarle, só o preço. O preço médio do carbonato de lítio usado pela Corfo passou de cerca de US$ 10.365 por tonelada em 2025 para cerca de US$ 18.733 no primeiro semestre de 2026. Ainda longe do recorde de 2022, quando a média foi de cerca de US$ 72.000 e a Corfo recebeu perto de US$ 4 bilhões no ano.
| Empresa | Pagamentos à Corfo 1S 2025 | Pagamentos à Corfo 1S 2026 | Vendas 1S 2026 (t LCE) |
|---|---|---|---|
| Novandino Litio (Codelco-SQM) | US$ 93 M | US$ 670 M | 152.000 |
| Albemarle | US$ 56 M | US$ 121 M | ~28.000 |
| Total | US$ 149 M | US$ 791 M | ~180.000 |
Fonte: Corfo, via REDIMIN e La Tercera. O total de 2025 informado pelo La Tercera é de US$ 150 milhões; a diferença com a soma da tabela é de arredondamento. As exportações também refletem isso: entre janeiro e setembro se aproximaram de US$ 4.745 milhões, quase o triplo de um ano antes, como detalhamos na reportagem sobre as exportações de lítio de 2026.
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Ver formatos publicitáriosO que vem para o lítio chileno
A Albemarle apresenta sua projeção anual em cenários de preço. Com o lítio perto de US$ 20 por quilo, a empresa espera vendas de US$ 5,7 a 6,0 bilhões e ebitda ajustado de US$ 2,4 a 2,6 bilhões em 2026. Além disso, reduziu seu investimento do ano para entre US$ 300 e 350 milhões, de cerca de US$ 500 milhões. A teleconferência com analistas está marcada para 6 de novembro.
No salar há dois grandes projetos em carteira, que ainda exigem avaliação e licenças: o Salar Futuro, da Novandino, com investimento estimado de US$ 3 bilhões e capacidade de até 470.000 toneladas anuais de LCE em seu cenário mais alto, e uma iniciativa de extração direta de lítio da Albemarle de cerca de US$ 3,1 bilhões. O Chile é o segundo produtor mundial, atrás da Austrália, como mostra nosso ranking dos maiores produtores de lítio.
Para o Tesouro, a lição de 2025 continua valendo: o lítio é uma receita volátil. Por isso o Ministério da Fazenda trata como receita estrutural só uma parte do que chega da Codelco e da Corfo. Se o preço se mantiver, 2026 poderá ficar entre os três melhores anos da história em arrecadação com lítio, embora faltem os pagamentos de outubro a dezembro. O Salar de Atacama concentra as operações que explicam esses números, como contamos ao revisar a maior mina de lítio do mundo.

Perguntas frequentes
Quanto a Albemarle lucrou no terceiro trimestre de 2026?
US$ 296,8 milhões, com vendas de US$ 1.553,1 milhões e ebitda ajustado de US$ 645,5 milhões (+186,1%).
A que preço a Albemarle vendeu o lítio?
A US$ 20,02 por quilo de carbonato de lítio equivalente em média, quase o dobro dos US$ 10,28 de um ano antes.
Quanto a Corfo recebeu pelo lítio em 2026?
Mais de US$ 1,1 bilhão entre janeiro e setembro, segundo a REDIMIN. Em todo 2025 recebeu US$ 339 milhões.
Quem paga mais à Corfo?
A Novandino Litio, sociedade da Codelco e da SQM: US$ 670 milhões no primeiro semestre, cerca de 85% do total.
Por que os pagamentos sobem tanto se o volume quase não muda?
Porque os contratos com a Corfo cobram porcentagens que aumentam por faixa de preço: quando o lítio sobe, o Estado fica com uma parte maior de cada tonelada.



