A interconexão elétrica entre Chile e Peru deu um passo concreto. A empresa EnorChile Transmisión SpA apresentou ao Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental (SEIA) do Chile a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) do projeto “Linha Elétrica 2x220 kV Los Héroes-Parinacota”, com investimento estimado de US$ 30 milhões, segundo o Portal Minero em 16 de outubro.
A linha teria cerca de 22 quilômetros na comuna de Arica, com circuito duplo de 220 kV e capacidade máxima de transporte de 250 MVA. O objetivo é permitir a importação e exportação de eletricidade entre o Sistema Elétrico Nacional do Chile e o sistema interligado do Peru. O projeto está em fase de admissão na autoridade ambiental e prevê iniciar as obras em janeiro de 2028.
Como seria a interconexão elétrica Chile-Peru
O traçado parte da Subestação Parinacota, em Arica, chega à fronteira e segue até a Subestação Los Héroes, em Tacna. Segundo a descrição do projeto, as duas subestações existentes são citadas apenas como contexto da interconexão e não fazem parte das obras avaliadas no Chile. A linha seria principalmente aérea, com um trecho subterrâneo entre as estruturas 40 e 49 e instalações de transição.
| Característica | Dado do projeto |
|---|---|
| Titular | EnorChile Transmisión SpA |
| Nome | Linha Elétrica 2x220 kV Los Héroes-Parinacota |
| Instrumento ambiental | Declaração de Impacto Ambiental (DIA) |
| Investimento estimado | US$ 30 milhões |
| Extensão | ~22 km na comuna de Arica |
| Tensão e circuitos | 220 kV, circuito duplo |
| Capacidade máxima de transporte | 250 MVA |
| Extremos | Subestação Parinacota (Arica) e Subestação Los Héroes (Tacna, Peru) |
| Início previsto das obras | Janeiro de 2028 |
| Situação | Admissão no SEIA (outubro de 2026) |

Uma ideia com mais de uma década de estudos
A interconexão com o Peru não é nova. Em 2016, o T13 informou que a EnorChile, do Grupo Cardoen, trabalhava havia uns cinco anos em um projeto entre Tacna e Arica de 100 MW, com uma conversora de frequência no Peru e custo estimado entre US$ 80 e US$ 100 milhões, junto com a peruana Coelvisag. A conversora é uma exigência técnica: Chile e Peru operam suas redes em frequências diferentes, 50 e 60 Hz.
No mesmo ano, o Sistema de Integração Elétrica Andina (Sinea) havia proposto duas alternativas, segundo a mesma reportagem: uma linha curta de cerca de 55 km entre Tacna e Arica, de até 200 MW, com custo de US$ 130 a US$ 150 milhões, e uma linha longa de 607 km entre Crucero (Antofagasta) e Montalvo (Moquegua), de 1.000 MW e cerca de US$ 989 milhões. Três estudos de viabilidade concluíram no fim de 2015 que a interconexão era viável e benéfica para os dois países.
| Alternativa | Rota | Capacidade | Custo estimado |
|---|---|---|---|
| EnorChile 2026 (no SEIA) | Parinacota-Los Héroes, ~22 km no Chile | 250 MVA | US$ 30 milhões (trecho avaliado) |
| EnorChile 2016 | Tacna-Arica, com conversora | 100 MW | US$ 80 a 100 milhões |
| Sinea, linha curta | ~55 km, Tacna-Arica | Até 200 MW | US$ 130 a 150 milhões |
| Sinea, linha longa | 607 km, Crucero-Montalvo | 1.000 MW | ~US$ 989 milhões |
O investimento de US$ 30 milhões corresponde à linha avaliada no SEIA chileno; nesta etapa, a descrição do projeto não detalha o custo das obras em território peruano nem de uma eventual conversão de frequência.
A integração elétrica regional ganha impulso
O projeto chega em uma semana de anúncios sobre integração energética. Em 16 de outubro, os presidentes do Chile e da Bolívia assinaram uma declaração para avaliar uma futura interconexão elétrica entre os dois países, como contamos no acordo de integração energética com a Bolívia. O Chile já tem uma interconexão em operação com a Argentina.
Para o Chile, uma conexão com o Peru abriria uma saída para a energia solar do norte, que hoje se perde em parte por falta de transmissão. Nas horas de sol, o sistema gera mais do que consegue consumir ou transportar, e as renováveis precisam cortar sua produção (curtailment). O congestionamento da rede também explica a longa fila de projetos que aguardam conexão, que revisamos nos 12.188 MW em projetos aguardando conexão.
As novas conexões à rede estão no centro do debate regulatório. A Procuradoria Nacional Econômica (FNE) pediu mudanças na forma como as conexões são atribuídas e nas regras das licitações do Coordenador, como detalhamos na proposta da FNE sobre livre concorrência no setor elétrico. Uma linha internacional de 250 MVA teria de operar dentro dessas mesmas regras de acesso e coordenação.
A escala do projeto é limitada. Com 250 MVA, a linha poderia transportar em torno de 250 MW em condições normais de operação, uma fração da capacidade solar instalada no norte do Chile, mas suficiente para um primeiro intercâmbio entre Arica e Tacna, duas cidades que já têm um intenso comércio de fronteira. Os estudos anteriores do Sinea viam esse tipo de ligação curta como o primeiro passo para uma interconexão maior.

O que falta para a interconexão elétrica com o Peru
A avaliação ambiental é só uma das etapas. Para haver intercâmbio de energia, os dois países precisam acordar um marco regulatório: como as transferências são remuneradas, quem coordena a operação e quais regras comerciais se aplicam. Essa discussão entre governos e operadores avança devagar há anos. Também são necessárias licenças no Peru para o trecho ao norte da fronteira.
- Admissão no SEIA: o Serviço de Avaliação Ambiental precisa declarar a DIA admissível antes de avaliá-la.
- Avaliação ambiental: os órgãos com competência ambiental revisam a DIA e podem pedir esclarecimentos.
- Licenças no Peru: o trecho entre a fronteira e Los Héroes requer aprovação das autoridades peruanas.
- Marco regulatório binacional: regras para operar e comercializar energia entre os dois sistemas.
- Construção: o titular prevê começar em janeiro de 2028.
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Ver formatos publicitáriosPerguntas frequentes
Chile e Peru têm hoje conexão elétrica?
Não. Os sistemas elétricos do Chile e do Peru não estão interligados. O Chile tem interconexão com a Argentina.
Quem é a EnorChile?
Uma empresa chilena ligada ao Grupo Cardoen que, segundo o T13 em 2016, operava remotamente cerca de 800 MW de energia renovável de terceiros e construía usinas a diesel de reserva. Sua subsidiária EnorChile Transmisión SpA é a titular do projeto.
Quanto custa a linha Los Héroes-Parinacota?
O investimento estimado informado ao SEIA é de US$ 30 milhões.
Quando seria construída?
O titular prevê iniciar a construção em janeiro de 2028, se obtiver a aprovação ambiental e as demais licenças.



